o início

O disco A Rotina do Pombo começou a nascer em 2010 quando chamei Guga, Martché e Tolen, todos da banda Amplexos a me ajudarem a perseguir uma sonoridade que gosto que é da gravadora paulista Ambulante Records do inicio dos anos 2000, por lá saíram os primeiros discos da Céu, do Rodrigo Campos, Adão entre outros, me encantavam as misturas de Dub, Hip Hop, e música brasileira. Mas foi só em 2016 que definimos que oque queríamos lançar eram as músicas desse período que tinham uma onda boombap com influência de música jamaicana, muito na mixagem, de música jamaicana!

Eu sempre fui muito envolvido com pautas que buscam uma melhor qualidade de vida para a população preta e isso necessariamente passa pelo combate ao racismo, em determinado momento entendi que nos pretos, éramos feitos os pombos, que na falta de possibilidade de aquisição de renda nos nossos espaços, entre nosso povo, na periférica, vamos a direção dos grandes centros a procura de trabalho e ali ocupamos os piores postos, que nos deixam com as piores aparências, sujos, e ao final do mês recebemos as migalhas, o salário mínimo, com os pombos também é assim, eles ficam com as sobras por termos destruído seus habitats naturais e passam a ser visto como pragas, assim como os racistas veem os pretos!

Construí o disco em cima desse conceito, criei um personagem chamado “Sem Nome” de 27 anos, pobre, preto, que sonha em ser músico, mas que trabalha em um telemarketing, tem uma péssima relação com a mãe e uma avó com Alzheimer, sua namorada acabou de terminar com ele após ter contato com uma realidade que a atraiu após se tornar bolsista na PUC. Ele vive em uma cidade fictícia que mistura os centros de Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Volta Redonda, e o disco contaria o processo de entendimento deste personagem, que é uma síntese de experiências pessoais minhas e de pessoas próximas, em um período de um mês, onde ele começa a entender que algo de errado não está certo em sua vida!

Toda a produção foi muito sofrida, desde fazer o disco com pouca grana e ter que depender de muitos favores, ate ter que entrar no personagem para compor, eu sentia muito do que o personagem sentiu. Nesse processo o Scooby foi fundamental, chegou com quase todos os beats e os meninos do estúdio Casa depois conseguiram dar uma cara que gostei muito, as participações foram de pessoas que considero amigas, quase todos artistas pretos, o Robson que é um artista que tenho muito amor fazendo as ilustrações que sobre as fotos do Leonan foi um presente que me emociona muito e não vejo o disco funcionando sem a identidade visual para mim é fundamental e ao fim o Guilherme amarrou tudo muito bem!

O disco não alcançou o tanto de pessoas que eu queria, mas alcançou mais do que eu esperava, levou oque eu tinha para falar a lugares que sou grato e trouxe pessoas especiais que tiveram paciência e atenção com a parada, tipo você que ta lendo isso, fico agradecido! Axé!



FICHA TÉCNICA

Produzido e mixado por Guga Valiante, Martche e Tolen
Masterizado por Jorge Luiz Almeida
Ilustração Finho   Fotografias Leonan Claro 
Identidade Visual Guilherme Kozlowski

disco na mídia
Esta é uma galeria formada por obras de artistas que se inspiraram no disco A Rotina do Pombo para produzí-las!

A R T I S T A S

PRETA
ALBERTO PEREIRA
FINHO
LUZ RIBEIRO
ANDERSON ALVES